Deflagra minha vida
perfura meu coração
faz do meu dizer
uma simples ilusão
Re-faz minha face
no sombrio do espelho
imagina alhures
um lugar sem vãos
Minha tristeza
em forma de mulher
decanta meu desejo
enxuga minha aparição
Me ame
dentro do não saber
Me ame
para fora do real
Me ame
pelo seu coração sem igual
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
samba (para musicar)
Se o meu viver
não é mais teu
pra que caminha
se não posso nem ser
nem penso estar mais aqui
para me deflagrar
derruba sua gloria
só para me tocar
não posso nem chorar
não quero
nem despertar
nem socorrer
seu o meu viver
não é mais teu
Há mundo de sofrer
acalma minha dor
lamenta meu coração
derrama seu querer
não é mais teu
pra que caminha
se não posso nem ser
nem penso estar mais aqui
para me deflagrar
derruba sua gloria
só para me tocar
não posso nem chorar
não quero
nem despertar
nem socorrer
seu o meu viver
não é mais teu
Há mundo de sofrer
acalma minha dor
lamenta meu coração
derrama seu querer
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
olhos
Quando gozam pelos olhos descobre outra paisagem que instaura a plenitude por segundos, embebecida por novos sabores, encontra no corpo sua segurança, mesmo que as lagrimas não escorram tão seguras. O amor desperta por moléculas mucosas d'água, os braços se entrelaçam e as pernas não querem largar. O gozo faz filho por dois extremos, duas fissuras que contam o mundo para si.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
trabalho (para musicar - samba)
ele trabalha
engraxa o chapéu do sublime
de cabeça erguida
de olhos baixos
ele é o trabalho
trabalha
para satisfazer algum sonho
trabalha
para desfazer a memoria
trabalha
e se perde no horizonte
ele trabalha
acorda para mais um dia
se descobre
com o cobertor apertado
ele trabalha
caminha para o que não é seu
com o orgulho do sol estampado
trabalha
ele é o trabalho
voltar (para musicar - samba)
volto pra casa sem chorar
prossigo
volto sem saudades
embarcado pela maldade
volto em paz
volto
sinto no ar
outro ar
que não esta
em meio do que só fica
então volto
volto para me encontrar
ancorado em minha face
volto sem chorar
refaço, desfaço minha embriagues
desquebro o espelho da brancura
para voltar
domingo, 9 de outubro de 2011
o salto
Segura a minha mão – ele sussurrou. O salto desatinou seus membros, por instantes o ar passeou por debaixo da sola dos pés. Voei. Ofegante os dois corpo deitados tentavam pronunciar alguma risada, cada um tocava o próprio corpo, como aquela busca infantil de confirmar a existência. Voei – ela sussurrou. Deslocando o ventre para o lado preenchido por um corpo novo, fez tremer o corpo. O beijo foi visto pelos deuses que por ali sobrevoavam. A sombra da árvore acariciava o rosto dos dois. A árvore é alta, como os sobre-saltos que ali ramificavam os destinos.
sábado, 27 de agosto de 2011
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